quinta-feira, 16 de junho de 2011

Hoje


Hoje,
Tudo é nostalgia
Dos dias que te tinha,
Dos dias que me tinhas
Dos dias que eram um hoje.
Esse hoje,
É um ontem,
Um ontem distante,
Que tenta ser presente
Nesta vida errante
Deste cansado coração.
Hoje,
A minha alma é pequena.
Condensada em lembranças,
Lembranças que afogam
Minhas esperanças
De um ontem-hoje sem fim.
Hoje,
Não há vida,
Sem que haja quimera.
Não há mais hoje,
Não há mais nada.
Hoje,
Cada vez o hoje
Torna-se passado,
Passado vivo,
Passado dolorido,
Passado.
Hoje,
Não existe.
Não há hoje,
Nem amanhã.
Só há de ti
Lembranças.
Lembranças
Que são o meu hoje
O meu ontem
O meu porvir

Revolto coração


Revolto coração
De ardência bravia
E de pura imensidão,
Só o Luar
O luar sob o mar
para acalmar...
Acalmar estas ondas vazias
Que tramitam aqui...
Só o luar,
O luar do teu olhar
para me saciar.

sábado, 7 de maio de 2011

Grego luar...

Um fio de madrugada 
aponta por trás do luar
que me restou.
Lua refinada, 
de tenro olhar
e de uma quimera 
a admirar...
Deitados sob sua luz,
repousava sua boca sobre a minha
com tal ardor
que até por um momento
o luar apagou...
...E reascendeu 
a cada sereno olhar teu
que em mim pairou. 
A divindade em forma de amor,
me amou...
me amou....
E cada estrela, distante, 
no céu dizia
que tudo era magia 
de uma grego que ía 
e vinha
deixando seu encanto
e suscitandocanto
em madrugadas sem fim.
E ele se foi,
pelo caminho das estrelas,
conduzido até seu Olimpo
onde em mim pensou,
onde me amou.
E cá estou,
no meu leito sagrado
que por nostalgia lunar 
Foi tomado...pensando:
ele me amou.

Caos

Apago a luz para ter a sensação que a saudade se foi junto a claridade que dava vigor a esta dor cravada no meu peito. Dor por sdaber que mais um dia vai amanhecer e eu o viverei na angústia. ..Angústia de você.

domingo, 1 de maio de 2011

Soneto de Fidelidade

E teria mais espaço aqui de Vinicius do que meu.Meu querido poeta.


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Toco-te com meus olhares,
mas estes se vão,
emaranhando-se 
no ato súbito da solidão.
Corro para alcançá-lo
E meus pés se cansam 
Do que não alcançam.
Foras tu,
Sim,
Foras quem me tocou sem as mãos,
Cantou-me sem canção,
Encantou-me sem pretensão.
Foras tu,
Sim,
Foras,
Pois hoje não és
E amanhã não serás,
Assim como eu,
Verbo intransitivo
Tentando transitivar
Aquilo que não há transição.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Não tente me possuir


Não tente me possuir.
O meu corpo é um feitiço
E o teu desejo sombrio
O caminho da tua perdição.
Sou tão mortífera
Quanto o veneno
Ainda não experimentado,
Mas de perto saciado
Pela tua ambição.
Afaste-se dos meus encantos,
Ele pode a tua alma penetrar
E o teu coração algemar.
Não se entregue
Ao meu sorrir,
Nem os deuses no Olimpo
O conseguiram resistir.
O meu cantar,
A Iara consumiu.
Resista!
Fuja do que atrai!
Um desejo,
E o teu corpo no leito mortal se deitará!
Não tente me possuir.

sábado, 9 de abril de 2011

Cartas

Cartas
Não olham nos olhos,
Foi bem mais fácil escrever.
Dentro
De cada palavra
Vai um pouquinho do meu coração.
Um verso de amor
Não conhece a timidez
Nem treme na presença de quem ama
Um verso de amor
Vai tomar o meu lugar
Quem sabe ele me ajuda a confessar
Você vai ler
Que tudo em mim
Pede o fim do silêncio
Esperar
Já não é o bastante
E vai saber
Que o meu amor
É maior que tudo
E está escrito
Que é seu pra sempre
Dentro de cada palavra
Eu me desenho inteiro pra você
Cartas
Esperam resposta

terça-feira, 5 de abril de 2011

Lembrança

Um dia percebemos que a lembrança dói muito mais que a saudade. Saudade é consequência de uma lembrança sólida que nos faz viver cada pequeno minuto que já se foi, mas, inegavelmente, torna-se um vivo presente das nossas vidas. A chuva lá fora e a dor da ausência. Fechamos os olhos e só pensamos nos dias de sol, nos dias em que a pessoa nos sorria e a vida era simplesmente mais bonita. Abrimos os olhos e a chuva é incessante. Lembrança. Tudo isso se chama lembrança. Os olhos daquele alguém não nos sai da cabeça. A hora que ouvimos aquelas palavras que nos comoveram e nos fizeram suspirar ou aquela pessoa que nunca mais iremos ver. Tudo isto parece presente, mesmo que não vivamos mais nenhum daqueles momentos. Ficam em nossas vidas como as pegadas na areia cuja forma perdura o tempo.  Lembranças. Lembrar deveria ser o ato de esquecer. E como esquecer se cada ato de esquecimento faz-nos lembrar ? Lembrança que corrói...Lembrança...E a chuva continua, trazendo-nos à tona, apenas... Lembranças.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O que me importa (Marisa Monte)

Eis aí o tipo de música que além de relaxar, faz-nos refletir sobre o que sentimos e o que passamos, às vezes. Uma música leve, simples e com um fundo poético verossímel! Vale a pena conferir.


O que me importa
Seu carinho agora
Se é muito tarde
Para amar você...
O que me importa
Se você me adora
Se já não há razão
Prá lhe querer...
O que me importa
Ver você sofrer assim
Se quando eu lhe quis
Você nem mesmo soube dar
Amor!...
O que me importa
Ver você chorando
Se tantas vezes
Eu chorei também...
O que me importa
Sua voz chamando
Se prá você jamais
Eu fui alguém...
O que me importa
Essa tristeza em seu olhar
Se o meu olhar tem mais
Tristezas prá chorar
Que o seu!...
O que me importa
Ver você tão triste
Se triste fui
E você nem ligou...
O que me importa
Seu carinho agora
Se para mim
A vida terminou
Terminou!

domingo, 3 de abril de 2011

Liberdade


Liberdade
A liberdade que inspira e fantasia.
É esta que anseio ter em mim.
Como se não mais fossemos distintos,
Porém apenas um.
Tu és liberdade, meu espírito aventureiro,
Encarando por aí os meus medos e desejos,
Alcançando minha ganância de subir no vento,
Fazer curvas no oceano;
Viajar entre as nuvens
E com o sopro da minha voz
Desenhar naquele quadro estrelar.
Liberdade,minha amada,
És a minha grande inspiração.
E é por ti que me ponho a escrever.
Pois por um momento tenho a sensação
Das suas mãos dando cor a minha imaginação;
Asas as minhas palavras
Para que possa assim te sentir,
Me sentir,
Liberdade.